• Introdução:

Felizmente cada vez mais estamos ouvindo notícias sobre finanças no nosso país, espero que não seja uma tendência passageira, mas que os jornais incorporem coisas deste tipo cada vez mais.

E uma das coisas que apareceu muito nos jornais no ano passado e um pouco menos neste ano é o Banco Central.

A resposta pra pergunta que o título faz depende de onde estamos, cada país dá funções diferentes ao seu BC.

Todavia, para entendermos o BC brasileiro faz sentido uma rápida contextualização histórica, para só depois buscarmos entender seu funcionamento. E por fim compreendermos as consequências das ações do BC em nossas carteiras.

  • Como surgiram os BCs?

Poucas ideias surgem por acaso, o Banco Central não foi uma delas. Ele surgiu da necessidade dos países de criar um “banco dos bancos”, este banco garantiria ainda mais poder ao Estado.

No início não havia uniformidade no nome, mas na sua concepção a ideia era criar um monopólio da emissão de papel moeda, e, como bônus, poder criar sua própria moeda de uso forçado.

Tal moeda trazia muitos benefícios ao Estado, principalmente vinculado ao controle dos cidadãos, mas este não é o tema deste livro. O que importa para você saber é que esta foi a concepção inicial.

Com o desenvolvimento do mundo moderno, mais funções foram sendo agregadas ao BC, podemos citar: controle de inflação e de câmbio, manutenção do emprego, desenvolvimento do país, regulação das instituições financeiras,...

No Brasil, o BC tem basicamente 3 papéis: controle de inflação, emissão da moeda e regulação do sistema financeiro.

  • O que é o nosso BC?

Também conhecido como Bacen, ele é uma autarquia do governo federal, portanto não é subordinado a outro órgão público e possui certa autonomia nas suas funções. Estas características são muito importantes já que estamos falando de um player que pode afetar toda economia de um país.

  • Qual a função do BC brasileiro?

O primeiro eixo de responsabilidades do BC é sobre o controle da inflação. Neste aspecto, cabe uma ressalva, há limites para o que um BC pode fazer, ele não tem poderes ilimitados, e ainda que tivessem há mecanismos de mercado que simplesmente estão fora de seu controle.

Ainda sobre a inflação, ela ocorre devido às leis da oferta e da demanda, tal lei aplica-se tanto a produtos (ex. uma seca pode inflacionar o preço de um produto agrícola), quanto a dinheiro, a quantidade de “reais” que circulam no país também afeta a inflação, já que quanto mais dinheiro houver, menos ele valerá (podemos olhar a nossa vizinha, Venezuela, como exemplo).

Um segundo fator que afeta a inflação é o câmbio, como o dólar é parte essencial na produção de muitas coisas, a alta ou a baixa (que faz tempo que não vemos) do dólar afeta a inflação.

Os instrumentos à sua disposição para controlar a inflação são 3: políticas monetárias, de crédito e cambiais.

Uma medida relacionada à política monetária seria, por exemplo, o banco central “imprimir” mais dinheiro para aumentar a inflação. A medida que reduziria a inflação seria exatamente o contrário, o banco central “destruiria” o dinheiro anteriormente criado.

Não se preocupe muito com a parte técnica, para o investidor basta entender que quando sai uma notícia com alguma destas expressões quer dizer que o banco central está querendo aumentar a inflação: “afrouxamento das reservas compulsórias”, “injeção de liquidez”, “venda de dívida”. E quando as expressões forem ao contrário, significa que ele está tentando reduzi-la.

As políticas de crédito estão diretamente relacionadas a nossa taxa SELIC, é ela que dita as demais taxas da economia. Quando o BC quer aumentar a inflação ele a reduz e vice-versa. Como comentei acima, a inflação está relacionada a quanto dinheiro está circulando, quando deixar o dinheiro parado em um banco qualquer rendendo é lucrativo, ele não está circulando, então o BC abaixa a taxa de juros para obrigar o investidor a se mexer para conseguir dinheiro.

As políticas cambiais são simples, como o preço do dólar afeta diretamente o preço dos produtos, se o dólar sobe muito o Banco Central vende dólares (seguindo a lei da oferta e da demanda), assim, com mais dólares no mercado o seu valor cai; e vice-versa.

As teorias modernas acreditam que uma inflação ao redor de 2% a.a. é benéfica para o crescimento de um país, todavia nossa meta nacional normalmente ronda a faixa dos 4% a.a.

A emissão de moeda não tem muito mistério, o BC é quem controla a nossa Casa da Moeda, logo o que ele disser para fazer será feito.

Sobre a regulação do sistema financeiro, imagine o BC como um órgão regulador. Ele determina quem pode operar ou não e quais as condições para operar, nada muito fora da caixa. Além disso, ele também tem o papel de fiscalizar estas instituições financeiras.

  • Quem decide quem é o presidente do Banco Central?

O Presidente do Brasil nomeia tanto o presidente como os oito diretores do BC, mas a aprovação depende da sabatina do Senado Federal, sistema muito similar ao dos ministros do STF.

  • Conclusão, como o Banco Central afeta seus investimentos

Acredito que faça mais sentido dividir os diferentes impactos de acordo com as funções / políticas do BC.

Quando o BC afrouxa as políticas monetárias ele permite que mais dinheiro circule na economia, como consequência o crédito fica mais barato e há uma tendência de alta na Bolsa (ou pelo menos que ela não caia mais).

Sobre o controle da inflação, o BC tem um Comitê chamado Copom (Comitê de Política Monetária), sua principal função é definir a taxa SELIC.

Quando a taxa SELIC é elevada, seus investimentos são afetados da seguinte maneira:

  • Renda Fixa pré fixada: desvaloriza.
  • Renda Fixa pós fixada: valoriza.
  • Renda Variável: tendência, não há certeza, de desaceleração da bolsa ou até queda.

Quando o BC vende dólares, o impacto direto é a queda do dólar (ou a não escalada). Beira a impossibilidade dizer, com precisão, os impactos indiretos desta operação, mas como regra geral o BC só vende dólares quando as coisas estão complicadas, então serve muito como forma de chamar nossa atenção.

Toda atitude apresentada até agora, caso seja inversa, terá o efeito oposto.

Em super resumo, o que preciso que você extraia deste texto é:1) o BC é um indicador de tendências e 2) quanto maior a interferência do BC na economia, pior ela está.