• Introdução:

Agora que o brasileiro realmente descobriu o mercado de ações, entendo que faz sentido apresentar a bolsa para ele.

Por usarmos a corretora como intermediária na compra de ações, acabamos esquecendo que há todo um sistema bem mais complexo por trás daquele simples homebroker.

Não quero te incomodar muito com a história, então nesta parte serei breve; ainda assim, a minha ideia com este texto é te dar uma noção de como funciona a bolsa, quais os mecanismos de segurança entre outras coisas.

Quanto mais conhecimento temos de algo, mais seguros nos sentimos. E, como para alguns investir em ações ainda dá um frio na espinha, espero que este texto ajude.

  • História:

A primeira “bolsa de valores” foi na Bélgica, por volta do ano 1285. A casa da família Van der Burse (que tinha como brasão uma espécie de bolsa) era o local onde os nobres europeus se reuniam para financiar expedições marítimas. Quem colocava dinheiro no empreendimento, recebia um título que garantia um percentual proporcional ao lucro da expedição.

A primeira bolsa de valores (oficial) foi criada em 1531, também na Bélgica, ela era conhecida por negociar títulos de empréstimos. A bolsa de Amsterdã, todavia, foi a primeira a negociar ações, especificamente da Companhia Holandesa das Índias Orientais, aquela empresa que você aprendeu na sua aula de história que buscava temperos nas “índias”.

Terminamos nosso tour pelo mundo, agora vamos voltar ao Brasil.

Nossa história começa em 1890 com a criação da Bolsa Livre, ela foi fechada no ano seguinte.

Em 1895, foi criada a Bolsa de Fundos Públicos de São Paulo e em 67 ela virou Bolsa de Valores de São Paulo, nossa a Bovespa.

Os crashes (grandes crises do mercado de capitais) foram levando as competidoras do Bovespa a situações complicadas.

Nos anos 2000 houve um grande fusão das Bolsas e em 2008 a Bovespa se juntou a BM&F, que negociava mercadorias e futuros. Surgiu então a BM&F Bovespa.

Em 2017 ela fundiu-se com a CETIP e então chegamos à B3 dos dias atuais.

Hoje a B3 tem um monopólio, sendo responsável pela maior parte das negociações de ativos mobiliários.

  • O que é a bolsa de valores?

A bolsa é uma empresa privada que cria um local (físico ou digital) em que podem ser negociados diferentes ativos, normalmente: ações, fundos imobiliários, ETFs, opções, entre outras coisas.

Esses ativos são chamados de valores mobiliários

  • Rentabilidade história da Bolsa de Valores:

Fonte: B3

Se você tivesse colocado R$ 100,00 na bolsa em dez/94, em ago/20 você teria aproximadamente 1900% de valorização, o que chegaria em R$ 2000,00.

Anualizando esse valor, a rentabilidade média seria de aproximadamente 80%.

  • Qual o objetivo da bolsa de valores?

Talvez a maneira mais simples de entender é dividindo entre as diferentes partes, note que vou explicar de maneira simples, há estratégias mais sofisticadas em que os papéis e objetivos se alteram; mas, como regra, é assim que funciona.

  • Compradores:

Quem compra um ativo acredita que o ativo vai se valorizar, gerando ganho de capital, e/ou vai distribuir bons lucros (dividendos), gerando ganho de renda.

  • Vendedores

Já os vendedores podem ter um racional um pouco mais complexo, eles podem vender pois estão precisando do dinheiro para outra coisa, porque entendem que há ativos com mais potencial de valorização ou porque a empresa deixou de ser atrativa.

É importante matar o mito de que a bolsa é um jogo de soma zero, num jogo de soma zero uma parte ganha (+1) e uma parte perde (-1) o que totaliza em 0. Na maioria das vezes a bolsa não se comporta desta maneira, isto porque, como comentei, o vendedor pode simplesmente querer ir para uma ação que ele entenda que tem maior potencial de valorização, ou para rebalancear sua carteira. Como os ativos não têm um teto que limite até qual valor eles podem subir, são a exceção as operações que têm essa relação ganha-perde.

  • Empresas

O mercado americano é um exemplo a ser seguido sobre a importância do mercado de capitais para a economia.

Imagine que você tem um negócio, seu negócio está indo bem e você quer expandi-lo. Por algum motivo o banco ou não te dá crédito ou te dá crédito a um juros muito alto, o que você faz? Abre seu capital.

Para as empresas, a bolsa é uma maneira muito barata de captar recursos já que, além das suas ações, você não precisa entregar nada em troca.

Depois dessa explicação podemos perceber que há duas pontas na bolsa? Investidores e Empresas, elas fazem a distinção entre o mercado primário e secundário.

  • Mercado primário:

É a primeira vez que o ativo entra na bolsa, aqui o dinheiro das vendas vai direto para o bolso da empresa.

O nome do processo pelo qual uma empresa abre seu capital é IPO (Initial Public Offer). Após a empresa abrir seu capital, ela pode inserir novos ativos através de um follow-on.

Fique tranquilo com os nomes, IPO só quer dizer que a empresa abriu seu capital e follow-on significa que ela decidiu vender um pouco mais do seu capital.

  • Mercado Secundário:

Aqui os ativos já estão no ambiente da bolsa e os investidores compram e vendem os ativos entre si (a maioria das negociações ocorre aqui). Logo, o dinheiro só vai de um investidor para o outro.

  • Como investir na bolsa de valores?

Super resumido, você precisa criar uma conta numa corretora de valores, pois elas são as únicas intermediárias que podem realizar tal investimento.

Vou deixar aqui os links para artigos que escrevi que vão te ajudar:

Corretoras de valores

Como investir em ações?

Como investir em FIIs?

  • Qual valor mínimo para investir na bolsa de valores?

Não há um valor mínimo, mas com R$ 10,00 já existem ações que podem ser compradas.

  • Horário de Funcionamento da Bolsa:

Apesar de ser possível, a bolsa de valores não funciona 24 horas, ela tem horários para cada tipo de negociação.

Fonte: ToroRadar

  • Pré-abertura

Este momento funciona como um leilão, os investidores podem enviar ordens antecipadamente, porém o negócio só será concluído na abertura do mercado.

A ideia desta fase é determinar o preço de abertura de uma ativo, atenção estas ordens não podem ser canceladas.

  • Negociação:

É o período “normal” da bolsa de valores, aqui que ocorrem a maioria das negociações.

  • Call de fechamento

Ela dura apenas 5 minutos e serve para determinar o preço de fechamento dos ativos. Vale ressaltar que apenas ativos que fazem parte de alguma carteira de Índice da Bovespa possuem call de fechamento, por exemplo, a PETR3 (Petrobrás) faz parte do IBOV11 (índice bovespa) por isso ela tem call de fechamento.

  • After Market:

É um horário extra de negociação da Bovespa, por isso tem algumas restrições de ativos.

  • O que é o Índice Bovespa?

Também conhecido como Ibovespa, Índice Futuro ou IBOV, ele é uma carteira teórica de ações, formada pelas ações mais negociadas na Bovespa, por isso ele funciona como um indicador do humor do mercado.

  • Quais os mecanismos de segurança da Bolsa?
  • BSM Supervisão de Mercados

Esta empresa faz parte da B3 e serve como mecanismo interno de fiscalização. Ela monitora as operações realizadas, supervisiona os participantes (empresas e investidores), aplicando sanções e multas a quem desobedecer às normas do mercado.

Além disso, ela também faz o ressarcimento de prejuízos, podendo devolver até R$ 120 mil por perdas causadas pela ação de corretoras, distribuidoras ou agentes autônomos. Por exemplo, um mal funcionamento dos sistemas pode servir como motivo para o ressarcimento (efetivamente quem faz essa devolução é o MRP - Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos, todavia ele está sob o guarda chuva da BSM).

Vale ressaltar que apenas negociações realizadas na bolsa estão cobertas, ou seja, CDBs ou outras coisas compradas diretamente pela corretora não tem esta proteção.

  • Circuit Breaker:

Ele é um mecanismo de proteção ao investidor. Quando há variações bruscas do mercado ele suspende a negociação para os investidores “respirarem” e assim agirem com mais calma.

  • Agente de Custódia:

A ideia é que a Bolsa guarda de maneira centralizada registros de todas as negociações realizadas; logo, ela sempre sabe a quantidade de ativos que você tem; e, quanto você pode vender ou comprar.

Além da segurança de não deixar que cada corretora cuide dos ativos, isso também traz um ganho de eficiência, facilitando muito a vida na hora de trocar de uma corretora para outra. Isto porque seus ativos não estão vinculados ao CNPJ da corretora, mas ao seu CPF; logo, quando você quer trocar de corretora, a B3 pode trocar todos os ativos de lugar de uma só vez.

  • Agente de Clearing:

Quando você realiza uma operação na bolsa, é responsabilidade dela que ela ocorra, ou seja, caso por algum motivo a outra ponta da operação não consiga entregar o ativo / dinheiro, a B3 se responsabiliza, entregando o ativo para você e depois buscando ressarcimento com o outro investidor.

Além de todos estes cuidados a B3 também tem um sistema de compliance próprio e é regulada e auditada pela CVM e pelo Banco Central.

Moral da história, há muitos mecanismos de segurança um em cima do outro para proteger a bolsa e o investidor. A única coisa que você deve ter cuidado é com você mesmo, ganância e situações de fragilidade são receitas para problemas nesse tipo de mercado.

Bons investimentos!