- Introdução:
Este texto nunca estará pronto.
Digo isto pois o objetivo deste texto é compilar tudo que aprendi e acredito com relação a alocação dos seus investimentos. E, por ser guiado por evidências, se algo mudar, mudo junto, não me prendo a ideais ultrapassados.
Um segundo objetivo é ter um guia para ajudar a tomar decisões em dias difíceis ou de incertezas.
Então, feitas as devidas introduções, vamos para onde tudo começa.
- Renda:
Sobre a renda, o primeiro, e mais comum, aprendizado é a necessidade imperiosa de se diversificar tanto sua renda ativa quanto sua renda passiva.
Podemos dividir as pessoas em 2 grandes grupos: as que têm um emprego e as que têm um negócio.
Sobre empregos, quem tem um, precisa de um “side-hustle” (infelizmente há palavras que o português não tem traduções perfeitas) side-hustle seria uma atividade, normalmente ligada a algo que temos prazer de fazer, da qual extraímos dinheiro no nosso tempo de livre, por exemplo: venda de docinhos, canal no youtube, blog, revenda de coisas compradas da China… Enfim, atividades agradáveis e rentáveis.
Sobre negócios, ainda não tenho um negócio próprio, então peço desculpas pela invasão, mas serei breve. O principal aprendizado continua o mesmo, diversificar os canais de vendas, não sei quantos restaurantes que nunca pensaram em trabalhar com Ifood ou Uber Eats já abriram seus perfis e estão vendendo, há diversos outros exemplos em outras áreas fazendo coisas que a priori eram inimagináveis.
Enfim, a lógica no final do dia é, se meu principal meio de receita tiver um problema, o que farei? Respondida esta pergunta, que tal se antecipar e começar a fazer algo hoje?
O nome é autoexplicativo, é o dinheiro guardado para dias chuvosos, mas não apenas para eles, para oportunidades gritantes também. Por exemplo, suponhamos que você precise comprar uma máquina de lavar, porque a sua atual está quase estragando, mas ainda funciona. De regra, a reserva de emergência nunca seria usada para este tipo de compra, mas e se a máquina que você iria comprar entra em promoção com 50% de desconto, aqui, quando a oportunidade é gritante, ela poderia ser utilizada.
Porém, muito cuidado, é necessário que a oportunidade seja gritante, do contrário estaremos abrindo mão de uma segurança que não sabemos quando precisaremos.
Quanto colocar nesta reserva?
O primeiro passo é levantar todos os custos mensais, absolutamente todos. Com o número em mãos, multiplique-o por 12 e pronto, temos o nosso número mágico, 1 ano inteiro de tranquilidade em caso de problemas.
Onde colocar esta reserva?
O foco são investimentos de altíssima liquidez, baixíssimo risco e uma rentabilidade próxima a nossa taxa SELIC.
Por exemplo, em títulos do Tesouro SELIC, CDBs ou contas correntes rentabilizadas com rentabilidade de (no mínimo) 100% do CDI ou Fundos DI composto por apenas títulos públicos.
Busque espalhar esta reserva em no mínimo 2 locais, isto porque você nunca sabe se haverá algum problema técnico na hora do aperto que torne inacessível sua reserva. Se a reserva é para o pior, realmente se prepare para o pior.
Como montar esta reserva?
Separe pelo menos 10% de absolutamente todo o dinheiro que receber, seja presente, salário ou até o que foi encontrado no chão e guarde para a reserva.
- O 80/20 dos investimentos, a Carteira de Investimento:
O objetivo desta parte do texto é explicar os porquês e as quantidades da alocação da minha carteira, cada um dos pontos já foi explicado num artigo anterior, e por isso irei colocar um link para consulta.
A distribuição dos seus ativos é mais importante que a escolha deles, 80% da sua rentabilidade se deve a sua distribuição e 20% à escolha dos ativos.
A minha carteira de investimento pode ser dividida em quatro partes: caixa, rentabilidade, proteção e apostas.
Caixa: como o nome sugere essa parcela é a reserva de oportunidades, o caixa da minha carteira é composto apenas por títulos públicos de renda fixa. O seu papel é possibilitar o aproveitamento das quedas do mercado ou de oportunidades abertas em alguma área; e, quando possível, trazer um pouco de rentabilidade à carteira como um todo.
Apesar de parecer contraditório, você precisa não ganhar dinheiro em uma parte da sua carteira para poder ganhar um bom dinheiro nas outras, isto ocorre porque o mercado é volátil, então caso estejamos 100% expostos ao risco, e o risco vem, não conseguimos aproveitar os descontos dos ativos. Entenda o caixa não como desperdício, mas como fundamental para qualquer estratégia.
A parcela de dinheiro em caixa vai variar entre 25 - 50% a depender das condições dos juros; juros mais altos, mais caixa e vice-versa.
Rentabilidade: o papel desta parcela é ganhar dinheiro, aqui me exponho ao risco para gerar retorno.
Ela é composta por: ações e FIIs, nacionais e estrangeiros.
A parcela de rentabilidade vai variar entre 25 - 55%. Os ajustes de percentuais tem duas variáveis: juros e risco. Quanto maior o juros ou o risco, menor esta parte da carteira, e vice-versa.
Proteções: parte interessantíssima do portfólio e que dificilmente você vai ver pessoas do mercado brasileiro falando. Proteções são metais preciosos e moedas fortes que têm como função: gerar algum valor no longo prazo e nos proteger das crises.
Em momentos de crise estes ativos têm uma correlação negativa com os ativos da Rentabilidade, o que significa que quando houver uma crise os ativos de rentabilidade caem e os da Proteção sobem.
As proteções compõem entre 10 - 25% do patrimônio, tudo depende do risco ao qual estamos expostos, mais risco é igual a mais proteção.
Apostas: enquanto entendo essencial para qualquer portfólio os três pedaços anteriores, as apostas podem ou não estar presentes. Na seção das apostas você vai investir em ativos de muito risco para buscar muito retorno, por exemplo, de cada 10 ativos em que você colocar dinheiro 5 vão para zero, 3 vão ficar estagnados, 1 vai ter uma rentabilidade interessante e 1 vai rentabilizar 10.000%, compensando todos os prejuízos e trazendo uma ótima rentabilidade.
A parcela das apostas deve ficar entre 0 - 5%. Aqui a métrica de decisão é interna, não externa, você deve saber quão confortável você se sente com esse tipo de investimento.
| Alocação da Carteira | ||
| Partes: | Porcentagem Mínima | Porcentagem máxima |
| Caixa | 25% | 50% |
| Rentabilidade | 25% | 55% |
| Proteção | 10% | 25% |
| Apostas | 0 | 5% |
Como montar a carteira?
Use exatamente a mesma regra da reserva de emergência. E, caso esteja montando sua carteira ao mesmo tempo em que a reserva, tente aumentar a quantidade que você poupa para 20% ou se organize para que 80% do dinheiro economizado seja colocado na reserva e 20% na carteira.
- Caixa:
Renda Fixa:
Normalmente, o book de renda fixa é o maior dos books, isto porque no Brasil nossas taxas de juros ainda são altas quando comparadas ao resto do mundo desenvolvido e, com isso, conseguimos um pouco de rentabilidade com um risco baixíssimo.
Atualmente tivemos diversos cortes na SELIC, o que reduziu significativamente o book na minha carteira. Antigamente ele rondava na faixa dos 50% e hoje está nos 30%. Ainda é um dos maiores pesos da carteira, mas claramente perdeu sua preponderância.
Quando comparamos títulos públicos vs. títulos privados, sabemos que os títulos públicos são mais seguros que os privados. Isto porque o governo pode simplesmente imprimir dinheiro, aumentar impostos ou pegar empréstimos internacionais para pagar, enquanto um banco definitivamente não tem essa gama de opções.
Como a remuneração da maioria dos títulos privados não cobre todos os riscos, a proporção risco X retorno se torna mais atraente para os títulos públicos.
Por esses motivos, não tenho títulos privados na minha carteira.
Em tempos normais, divido meu patrimônio em renda fixa da seguinte forma:
- ⅓ em Tesouro SELIC;
- ⅓ em Tesouro IPCA, e desta parcela ½ num prazo mais curto e ½ num prazo mais longo;
- ⅓ em Tesouro pré fixado, e desta parcela ½ num prazo mais curto e ½ num prazo mais longo;
Mas, como não estamos em tempos normais, atualmente tenho 22% em Tesouro SELIC e 8% em Tesouro IPCA Longo. A crise do coronavírus fez algumas alterações mais técnicas no tesouro pré fixado que não fazem ele valer muito a pena.
| Alocação do Caixa | ||
| Partes: | Porcentagem Mínima | Porcentagem máxima |
| Tesouro SELIC | 25% | 33% |
| Tesouro IPCA | 0 | 33% |
| Tesouro Pré fixado | 0 | 33% |
- Rentabilidade:
Ações e FIIs:
As ações e os FIIs devem estar presentes em todos os portfólios. O papel deles é rentabilizar o seu dinheiro. Como já tenho um artigo dedicado a cada um deles, serei breve.
No mundo dos investimentos a renda variável é o melhor mecanismo de criação de valor, historicamente ela entrega a melhor rentabilidade quando comparada a renda fixa, e isso em nível mundial. Sendo assim, se você quer ganhar dinheiro com seus investimentos, terá que ir para a renda variável.
Quero fazer uma nota especificamente sobre ações, busco manter uma regra de 80/20 nelas. Traduzindo, 80% em empresas de risco baixo ou médio e 20% em empresas de alto risco (e que logo, o retorno será maior). Esta abordagem me expõe a mais risco, mas também me traz mais retorno; todavia, só me exponho a isso pelo viés de longo prazo da minha carteira, quanto mais próximo da aposentadoria menos risco devemos correr.
A parcela das ações deve ficar entre 10 - 35%.
Já a parcela dos FIIs deve ficar entre 5 - 20%.
Aqui a métrica da porcentagem é onde há a melhor relação risco-retorno.
Exterior:
Os investimentos no exterior são um primeiro passo no caminho da sofisticação do investidor, mas antes da sofisticação há a diversificação. Então, se você ainda não está acostumado com os ativos anteriores, espere um pouco antes de montar esta parte da carteira.
A parcela dedicada ao exterior deve ficar entre 5 - 15%. Utilize a mesma métrica do item anterior.
| Alocação da Rentabilidade | ||
| Partes: | Porcentagem Mínima | Porcentagem máxima |
| Ações | 10% | 35% |
| FIIs | 5% | 20% |
| Exterior | 5% | 15% |
- Proteções:
Ouro
Possivelmente, a moeda mais antiga da história da humanidade é o ouro, ele é um metal escasso e valioso.
Com a constante impressão de papel moeda para o pagamento das dívidas soberanas ele vai, aos poucos, se valorizando. Outra situação é que as pessoas estão começando a perceber seu valor, o que logo criará uma demanda maior e a consequente escalada dos preços.
A grande vantagem que o ouro traz é que em momentos de crise, o vínculo do metal com a segurança faz com que ele tenha uma função de hedge, ou seja, ele tende a subir enquanto tudo está desmoronando.
O ouro é um ativo de baixa correlação com os demais ativos da carteira, que historicamente só tem se valorizado e ainda tem correlação inversa aos demais ativos da carteira em momentos de crise, poucas coisas têm tantos benefícios.
Um último detalhe sobre o ouro, busque sempre investir em fundos, porque são mais práticos, e sempre atrelado ao dólar. Não escolha fundos que fazem hedge, entregando a valorização do ouro junto com a variação do real. Isto porque, se queremos proteção, não queremos a nossa moeda.
Em tempos normais, o ouro (e demais metais preciosos) seria correspondente a metade do patrimônio destinado à parcela de proteções da carteira.
Atualmente ele representa 8% do meu portfólio.
Prata
Além do ouro, recentemente senti necessidade de diversificar minhas proteções.
A prata é um pouco mais volátil que o ouro, mas tem um viés muito parecido com ele. Podemos olhá-la sob duas lentes: estrategicamente faz sentido mantê-la no portfólio pois em períodos de expansão econômica há crescimento no seu consumo devido a produção de joias e de novas tecnologias; taticamente, ela tem o mesmo funcionamento do ouro, em períodos de incertezas os investidores procuram segurança em ativos físicos.
Foi apenas com a crise que adicionei a prata ao portfólio, mas independe do tempo me esforçaria para manter a proporção de 80% ouro e 20% prata na seção de metais preciosos
Atualmente ela representa 2,5% do meu portfólio
Moedas
Se você já leu algum dos meus textos, talvez conheça minhas críticas à moeda exótica brasileira. Como brasileiros estamos fadados a utilizá-la, mas como investidores temos que fugir dela um pouquinho, por segurança.
Se você vai fugir de algo instável você vai para algo estável, do contrário não deveria ter fugido, trocou 6 por meia dúzia.
Exemplos clássicos de moedas fortes são: dólar, libra, iene, franco-suíço e euro.
Citei tantas por dois motivos, antigamente tinha apenas dólar na carteira, hoje troquei toda a posição em dólar por uma cesta de moedas fortes.
O dólar não perdeu suas capacidades de proteção, apenas ficou muito difícil ignorar que teoricamente serão impressos 10 trilhões de dólares até o fim desta crise; 10 trilhões é muito dinheiro em qualquer lugar do mundo e não tenho ideia do impacto que esta monta vai causar no dólar, por isso, por hora, ele irá tirar umas férias da minha carteira.
Em tempos normais, as moedas fortes seriam um pouco menos da metade do percentual destinado à parcela de proteções.
Atualmente elas compõem apenas 3% do total do patrimônio, pois o mundo todo está imprimindo dinheiro, então prefiro focar em ativos escassos (metais preciosos) como proteção.
Com isso concluímos a parte essencial da carteira.
Como último lembrete: nunca pense em ativos isolados, sempre que decidir investir em algo pense em como ele se encaixa na sua carteira.
| Alocação das Proteções | ||
| Partes: | Porcentagem Mínima | Porcentagem máxima |
| Ouro | 2,5% | 15% |
| Prata | 2,5% | 5% |
| Dólar | 0 | 10% |
| Moedas Fortes | 2,5% | 10% |
- Apostas:
Bitcoin:
Realmente acredito que os criptoativos tem um grande potencial de valorização pela frente, mas como, salvo o Bitcoin, não entendo o funcionamento da esmagadora maioria dos criptoativos, prefiro ficar de fora do que está fora do meu conhecimento.
Atualmente tenho 1% da minha carteira em bitcoins. Na medida do meu aprendizado sobre os demais criptoativos planejo dobrar ou triplicar o valor.
| Alocação das Apostas | ||
| Partes: | Porcentagem Mínima | Porcentagem máxima |
| Bitcoin | 0 | 3% |
E é isso, texto longo, eu sei, mas é tudo que posso te oferecer em questão de alocação de portfólio. Espero que tenha gostado!
